Deixe-me respirar

segunda-feira, junho 19, 2017



A vida me sufoca.
Graças às suas exigências, acabo me enchendo das coisas que não foram feitas para se manter.
Devo me vestir desta forma para ser aceita? devo pensar desta forma para estar certa? devo estudar nesta área para me qualificar? Devo viver de tal forma para continuar?
Por que é que nós - pessoas buscando apenas viver bem - sempre saímos de um cativeiro para outro, e ainda dizemos viver liberdade? Cada um, em seu egoísmo puro e acentuado, sufoca os outros ao redor.
Uma das coisas mais lindas - e complexas - que Deus nos deu foi essa tal de singularidade. E o contraditório é que ela está tão, mas tão aparente, que se torna normal e passa despercebida. Na aparência, no jeito, no caráter, em cada aperto, cada coração. Tudo isso é único de cada pessoa e tais coisas não devem, em hipótese alguma, serem suprimidas! O triste é que, na maioria das vezes, nem nós mesmos reconhecemos nossas raridades. Talvez por não a conhecermos (mas tenho certeza que, ao menos algumas, todos sabemos), ou por não as aceitarmos.
Sempre há algo só nosso. E a intimidade que temos com nós mesmos é o que torna nossas singularidades visíveis - e completamente admiráveis. 

Como um exemplo de quem vos escreve, digo que o meu caso se parece com o de um bocado: eu sempre soube o que em mim era só meu e não mudaria - independente de terceiros - mas, simplesmente saber disso já não era suficiente, porque eu não aceitava o meu eu. Buscava me adaptar à certos julgamentos do que era bom ou não, do que era bonito ou não, do que valia muito ou pouco. A negação sempre acabava sendo minha conclusão.
Eu me sufocava e isso causou um baita sinal vermelho: É hora de parar! A principal regra para viver bem (se é que isso existe) é se libertar.

O mundo sufoca, os padrões sufocam, eu mesma me sufoco. É preciso respirar.
Antes de se tratar algo intenso e espiritual é preciso se tratar algo humano e completamente essencial. 
Se conhecer, se aceitar e se admirar é prioridade na natureza humana. Ser livre é não se sufocar, não se julgar e não se criticar. É saber amar a si mesmo, e só então amar o próximo. De verdade.

Antes de se prender - na escravidão for - olhe para si mesmo e veja o que só você tem. Admire-se e, quando seu próprio ser se negar, grite: DEIXE-ME RESPIRAR. Se respeite, se dê um tempo, se cuide.
Se deixe ser livre, e não mais se prenda a padrões negativos. Você sabe a qual padrão se prender.

Respire fundo e reconheça o quão incrível Deus te fez.
Respire fundo e sinta o prazer de nada o prender.
Respire fundo, e se liberte de vez.

Descubra o que o sufoca, e deixe-se respirar.


Por Anna Miranda

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